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Boletim Municipal, Ano 4, Nº 10, janeiro de 2000
23 de Setembro de 2009
Boletim Municipal, Ano 4, Nº 10, janeiro de 2000
Boletim Municipal, Ano 4, Nº 10, janeiro de 2000

Editorial

O objetivo apontado pelo Município para que o Centro Histórico de Ponte de Lima possa alcançar no futuro a classificação pela UNESCO de Património Mundial é algo que não diz respeito apenas à Câmara Municipal, mas deve envolver todas as entidades e pessoas residentes em Ponte de Lima, ou que simplesmente gostam e convivem com este espaço físico e cultural.

Sem dúvida que nos últimos anos foram dados passos muito seguros e positivos no sentido da requalificação urbana de Ponte de Lima, tendo-se chamado a atenção do País para o grande valor cultural e económico que representa o casco histórico da Vila que não quer ser cidade. Mas esse esforço não é só por si suficiente para assegurar o futuro e muito menos garantir a tão almejada classificação de Património da Humanidade.

Para ganhar a aposta é preciso um definitivo empenho da população, sobretudo dos comerciantes e proprietários dos prédios do Centro Histórico. Sem essa vontade nada se conseguirá.

Os avultados investimentos municipais na requalificação urbana, através da renovação e valorização dos arruamentos, espaços públicos e do seu mobiliário urbano, têm de ser acompanhados pelo indispensável complemento respeitante aos particulares. Torna-se imperioso que os prédios sejam recuperados e aproveitados para a dinamização do comércio ou da habitação num dos espaços físicos de maior potencial económico em todo o concelho. É preciso seguir os bons exemplos desenvolvidos noutros locais do País e que hoje estão bem à frente de Ponte de Lima na obtenção de tão importante objetivo, apesar de no seu interior não existir um conjunto tão valioso como seguramente é aquele que hoje define o nosso Centro Histórico.

É preciso que não se olhe só o comportamento do vizinho mas que cada um comece a agir e a dar o exemplo. É preciso não discutir o valor do reclame de acrílico ou do toldo oferecido pelo fornecedor, mas antes se perceba que há maneiras mais baratas e eficazes de chamar a atenção e de promover o produto de cada estabelecimento. Esperar pelo subsídio de recuperação, que talvez nunca chegue, é perder tempo e potencial económico que poderia ajudar ao nosso objetivo e sobretudo contribuir para elevar o nível de vida de cada proprietário. 

A valorização do Património e a dinamização económica da propriedade não se compadece com o estado de abandono dos imóveis localizados em algumas artérias da Vila. A maximização do rendimento obriga os proprietários a seguir um de dois caminhos: a recuperação dos imóveis para posterior aproveitamento ou; a venda dos prédios para quem os queira de facto recuperar e colocar a render.

A Câmara Municipal terá que interpretar o seu dever legal de velar pela qualificação do Centro Histórico e assim tentar corrigir as situações que o desqualificam e por arrastamento significam prejuízo para os que apostaram na recuperação urbana como uma forma de criar desenvolvimento e de salvar um Património que não é pertença de ninguém em particular, mas antes um Património da Humanidade.

Daniel Campelo
Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima

 

Campelo, Daniel, dir. - Ponte de Lima: Boletim Municipal. Ponte de Lima: Câmara Municipal de Ponte de Lima, 2000.

Boletim Municipal, Nº 10, 2000 (pdf | 14.933 kb)

 

 
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