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Dr. Teófilo Carneiro (1891 - 1949)

Jurista. Político republicano. Poeta de grande mérito.

Teófilo Maciel Pais Carneiro nasceu na vila de Ponte de Lima em 24 de março de 1891. Era o quarto filho de João Luís Gonçalves Carneiro, comerciante na mesma vila e natural da freguesia de Moreira, concelho de Monção e de sua mulher D. Guiomar Marques Pereira Viana, da Quinta da Portela, em Talharezes, S. João da Ribeira (Ponte de Lima).

Retrato em fotografia do Dr. Teófilo Carneiro.
Retrato em fotografia do Dr. Teófilo Carneiro.

Retrato em fotografia do Dr. Teófilo Carneiro

Completou o exame de instrução primária no Liceu de Viana e os primeiros liceais no Liceu-Seminário de Guimarães, seguindo-se, por transferência, o Liceu de Braga (secção de Letras). De 1911 a 1916, frequentou e concluiu com brilhantismo o curso de Direito na Universidade de Coimbra. Foi então encarregado de compor a balada para a tradicional récita de despedida dos quintanistas de Direito, redigindo o poema “Canto da Saudade”, musicado pelo futuro Desembargador Dr. António Augusto de Miranda.

Regressado a Ponte de Lima, passou a exercer atividade, como distinto advogado, com escritório aberto na rua Boaventura José Vieira, rua onde tinha a sua residência. Nesta profissão rapidamente se distinguiu, quer no ponto de vista da preparação técnica, quer no que respeita aos seus notáveis dotes de comunicador. Ao mesmo tempo, foi um apreciado professor no Externato e na Escola Primária Superior António Feijó, nesta vila, onde lecionou Francês. Em 7 de janeiro de 1922, casou com D. Carolina Adelaide Araújo Almeida, sua colega na docência, natural de Parada de Gatim, concelho de Vila Verde, sendo pais de seis filhos.

A par da atividade profissional, Teófilo Carneiro manteve uma especial e empenhada atenção à vida política, social e cultural do seu tempo. Republicano moderado, colaborou na imprensa, em jornais como “Aurora do Lima”, “O Comércio do Lima”, “Rio Lima”, “O Lima” ou “Cardeal Saraiva”; mas também em publicações como o “Almanaque de Ponte de Lima” e a “Limiana (Revista literária pontelimense)”; e em revistas como a Galera (Revista Quinzenal d’Arte e Ciência)” [Coimbra], “Civilização” [Porto], “Prometeu” [Porto] ou o “Arquivo Nacional” [Lisboa]. Ele próprio dirigiu o efémero jornal “Democracia do Lima” (1921-22) – “o primeiro jornal abertamente republicano que se publica em Ponte de Lima”. Mostrou ainda, em diversas ocasiões, ser um conferencista muito apreciado, um tribuno cujo notável talento de comunicador se estendia desde a sala do tribunal às intervenções políticas ou às palestras de âmbito cultural.

Medalhão em bronze figurando o poeta Teófilo Carneiro, da autoria de António Cruz, colocado em 1982 num recanto do Passeio 25 de Abril, na vila de Ponte de Lima.

Medalhão em bronze figurando o poeta Teófilo Carneiro, da autoria de António Cruz, colocado em 1982 num recanto do Passeio 25 de abril, na vila de Ponte de Lima.

Medalhão em bronze figurando o poeta Teófilo Carneiro, da autoria de António Cruz, colocado em 1982 num recanto do Passeio 25 de abril, na vila de Ponte de Lima.

Paralelamente à sua carreira de advogado, exerceu várias funções – foi Presidente do Centro Democrático de Ponte de Lima; Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima (1918 e 1919); Deputado pelo mesmo círculo, no seio do Partido Democrático, por duas legislaturas (1922-1926); Presidente do Senado (1923-1926) e Vereador municipal. Terá sido convidado para funções governamentais na capital, mas declinou o convite para esses cargos. Manteve relações próximas, independentemente das ideias políticas, com conhecidas figuras limianas do seu tempo − Filinto de Morais, Adelino Ribeiro Sampaio, Rodrigo Abreu, Severino Costa, Júlio de Lemos, Norton de Matos ou o Conde de Aurora, entre muitos outros.

Teófilo Carneiro faleceu prematuramente, com cinquenta e oito anos de idade, em 3 de agosto de 1949, na casa em que residia, em Ponte de Lima. O seu funeral constituiu uma expressiva manifestação de pesar e, ao mesmo tempo, de homenagem a um homem bom, afável e íntegro. Foi sepultado no “mais bonito Campo Santo que existe em Portugal”, para usarmos as palavras do próprio, ao referir-se ao cemitério de Ponte de Lima. Posteriormente, a edilidade inaugurou um modesto monumento com o busto do poeta, no Passeio 25 de abril, junto à velha muralha medieval, voltada para o rio Lima.

Democracia do Lima.
Primeira página do nº 1 ( 9 de janeiro de 1921) do jornal republicano Democracia do Lima, dirigido por Teófilo Carneiro.

Primeira página do nº 1 ( 9 de janeiro de 1921) do jornal republicano Democracia do Lima, dirigido por Teófilo Carneiro.

Sobre a sua figura, o retrato que amigos e conhecidos traçam é unânime – o Dr. Teófilo era um homem calmo, de fino trato e de manifesta bondade, afável e brando, afetuoso e conversador, meditativo e melancólico. Era também um idealista e visionário, que acreditava no progresso e nos grandes valores da igualdade, liberdade e fraternidade.Era ainda reiteradamente descrito como um homem bom e justo, sem ambições e de ímpar pureza de carácter, de irrepreensível postura ético-moral.

Teófilo Carneiro era um homem culto e de fina sensibilidade. Por isso, não surpreende o seu gosto pela literatura e pela escrita poética. Apesar de ter escrito e publicados vários textos, morreu sem recolher em livro a sua produção literária. Só alguns anos após a sua morte se editou um despretensioso volume póstumo, intitulado “Poesias de Teófilo Carneiro” (Ponte de Lima, Tip. Avelino Guimarães, 1952). Recentemente, foi publicada uma reedição com o título de “Poesias e outros dispersos” (Guimarães, Opera Omnia, 2006), que acrescenta um número considerável de textos poéticos e em prosa, esparsos por várias publicações. Além disso, reproduz alguns manuscritos do autor limiano e, no final, apresenta uma breve fotobiografia.

Medalhão em bronze figurando o poeta Teófilo Carneiro, da autoria de António Cruz, colocado em 1982 num recanto do Passeio 25 de Abril, na vila de Ponte de Lima.

Capa da 1ª edição (póstuma) das Poesias de Teófilo Carneiro, publicada em 1952.

Capa da 1ª edição (póstuma) das Poesias de Teófilo Carneiro, publicada em 1952.

Alheio às grandes orientações estéticas de finais de Oitocentos e primórdios do novo século, a poesia neorromântica de Teófilo Carneiro prima, antes de tudo, por uma simplicidade e idealismo de recorte franciscano. Predomina o misticismo da tradição, o amor às tradições e às lendas, a celebração da paisagem portuguesa, um certo “pitoresco português, com saudade e melancolia”, na caracterização neogarretista do doutrinador de “Palavras Loucas” [1894], Alberto Oliveira. Sem grandes inovações técnico-compositivas, nem variedade muito assinalável de géneros e formas, a sua escrita poética privilegia a composição breve, com destaque para o soneto.

Tematicamente, a escrita poética deste autor é dominada ora pelo lirismo amoroso, de sentimentalidade neorromântica, ora por um acentuado bucolismo regionalista, centrado na paisagem limiana. Com efeito, o predo mínio da tematização do Amor ou da celebração das belezas da Ribeira Lima ocupam um lugar destacado na sua escrita, deixando ainda lugar para uma certa preocupação social e humanista, bem como para algum humor inocente.

Fiquemos com um exemplo do sentido louvor da  paisagem limiana e das suas sedutoras belezas – como quadro luminoso e paradisíaco (locus amoenus), aliás na senda de Diogo Bernardes e António Feijó – exemplo retirado do hino que o poeta dedica a Ponte de Lima, sua amada terra natal:

Capa da edição de Poesias e outros dispersos de Teófilo Carneiro, publicada em 2006

Capa da edição de Poesias e outros dispersos de Teófilo Carneiro, publicada em 2006.

Capa da edição de Poesias e outros dispersos de Teófilo Carneiro, publicada em 2006.

“Ó terra onde eu nasci, terra de encanto,
Cheia de graça, ó cheia de beleza,
Deixa afirmar, nas vozes do meu canto,
Que és a mais linda terra portuguesa!

Num desperdício tonto, delirante,
Lanças ao vento, em gesto esbanjador,
O teu colar dum verde palpitante,
Onde tressua em febre o mar da cor.

Rainha da Beleza, eu te saúdo,
Eu te venero, ó deusa, em teu altar...
E rezo-te em silêncio, rezo mudo,
Cerrando os lábios p’ra melhor rezar!

. . . . . . . . . . . . .

Ponte de Lima, ó terra minha amada,
Com lendas a boiar no azul do espaço,
Deixa encostar-me a fronte fatigada
Na curva sensual do teu regaço!

Jardim de encantamento, obra de preço,
Fulgor e riso em fontes de cristal,
És a mais linda terra que conheço
Em todo o meu soberbo Portugal!

. . . . . . . . . . . . .

Berço me foste, tumba me serdás,
E no teu lindo cemitério em flor
Hei-de dormir eternamente em paz,
Coberto pela graça do Senhor!...

Pintores de Portugal, ajoelhai!
Isto é um milagre, não é cor nem tinta!...
Mas não pinteis, pintores! Orai, rezai!
Uma beleza destas não se pinta!...


Assinatura do Dr. Teófilo Carneiro

Assinatura do Dr. Teófilo Carneiro











José Cândido de Oliveira Martins


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